Supermax, A Primeira Série de Terror Brasileira(e talvez a última)

domingo, 22 de janeiro de 2017
Oiie lindinhos!!! Hoje é dia de algo que vocês já devem ter se acostumado, que são as resenhas do Alisson Silva, ele não é colunista oficial, mas sempre faz resenhas para nós, ele é um fofo por ajudar tanto, como nosso conteúdo é focado em livros, esses post variados são tão animadores, amo postar eles aqui.... (alisson810silva@gmail.com)



Supermax, série da Rede Globo, conta a história de um reality show onde doze participantes iriam ficar confinados em um presídio de segurança máxima disputando o prêmio de dois milhões de reais. Porém, sem eles saberem, o reality show é cancelado por motivos desconhecidos e eles foram abandonados pela produção do programa e agora, eles vão ter que descobrir o que aconteceu, encontrar uma saída e antes de mais nada, sobreviverem.

 A premissa da série funciona, o público gostou da ideia, mas na prática, temos uma séria que parece ter sido feita por gente nem um pouco experiente no assunto(séries e terror e séries de terror), uma direção de elenco fraquíssima, um elenco mais fraco ainda e personagens extremamente estranhos o que pode ser uma coisa boa dependendo do ponto de vista, no meu caso, eu gostei dos personagens. A linguagem da série é muito chata com frases prontas, coisas que ninguém iria dizer em um ambiente de sobrevivência onde você tem que fazer o possível para sobreviver mas parece que os personagens pensam “antes de morrer, vou falar uma frase de efeito, para eles pensarem que eu sou legal”. Piadas fora de hora e uma narrativa muito lenta que não funciona e não conseguiu agradar o público.

A série era apresentada em trailers como uma série de perseguição, aventura, um terror, criaturas sinistras e seitas religiosas anticristo, dizendo que era algo jamais visto na televisão brasileira, e de fato, é um projeto que está a muito tempo para acontecer e somente agora foi aceito a ideia dos criadores para a emissora e foi colocado em prática. 

Mas até que ponto a série conseguiu inovar perdendo audiência a cada semana? Então, é fácil responder isso: público alvo.  

A Globo queria mudar seu publico do horário das onze para um público entre 14 a 20 anos, e de acordo com pesquisas, Supermax conseguiu esse feito, mas não conseguiu ganhar mais em um público do que perdeu em outro. Mas vamos falar da série em si.

Como a trama demora muito para desenvolver, é natural que os personagens demoram para descobrir o que está acontecendo no presídio, e isso é demonstrado em várias cenas de conflito entre o personagem Sérgio (interpretado pelo Erom Cordeiro) e o personagem Arthur (interpretado pelo Rui Ricardo Dias) onde um deles quer ajudar o time a sair do presídio e o outro acredita que o sumiço da produção e as coisas estranhas do presídio não passam de uma prova para ver quem é forte ou não para aguentar até o final do reality (idiota, mas aconteceria com qualquer um, ou não, ninguém é tão burro assim). Uma coisa que eu também estava esperando que fizesse um efeito em Supermax e não fez absolutamente a menor diferença, foi o fato de que todos os integrantes têm problemas com a lei, o que parece que vai criar intrigas e algo relevante para a série, mas não. Foi só mais uma tentativa de chamar a atenção do público, o que falhou miseravelmente pelo fato de não ter um impacto tão grande pela propaganda exagerada feita desse fato, o que acontece é só uma subtramas ou duas entre os personagens, mas é uma coisa que se não tivesse, não iria fazer a menor diferença.

A série chegou no GloboPlay com seus 11 primeiros episódios, antes mesmo de estrear na Globo, para promover a plataforma concorrente da Netflix no Brasil (o que não vai dar certo) e eu acreditava que era esse o motivo da audiencia estar fraca, pelo fato das pessoas terem oportunidade de assistir em streaming quando e onde quiser, do que ter que toda terça-feira, as 11 horas da noite, sentar na frente da televisão e assistir a série. Mas não, a série é broxante mesmo e não condiz com a espectativa crianda durante toda a propaganda feita.

 Talvez um ponto positivo que a série ganhe, a não ser tentar, e repito, tentar fazer algo inovador, pode ser considerado o visual da série. A ambientação do presídio, toda a floresta, uma parte não terminada do presídio que os participantes encontram onde tem uma obra não terminada, uma espécie de hospital queimado e outras coisas muito bizarras que remete a rituais satânicos e coisas desse tipo que fazem você sentir medo do que está acontecendo, mas cair no tédio quando descobre. A maquiagem da série também é muito bem feita, mais pro final da série no episódio 9 ou 10, vão aparecer personagens que precisaram de muita maquiagem e até de 1 a 2 horas para preparar todo o visual. A trilha sonora é mais um ponto positivo, dá para notar pela música de abertura e todo o visual dela. E os atores, por pior que seja a direção, eles entregam uma atuação coerente e algumas até ótimas, mas outras apenas boas. E por fim, o último ponto positivo são as cenas de ação, que são muito bem coreografadas, por mais que muito artificiais, elas funcionam e te deixam tenso e o mistério também te deixa curioso para o final e seu penúltimo episódio conseguiu superar todos os outros (antes tarde do que nunca).

 Alguns episódios são muito animados e outros tem um arco mais dramático o que pode fazer você questionar qual a coerência que a série vai andar pois quando o ritmo começa a ficar bom, do nada, corta e vai para um drama de dois personagens em um conflito pra ver quem vai ser o “líder” de um reality fracassado.

 Vão acontecendo muitas reviravoltas, muita gente que some e reaparece em uma situação de desespero e demora muito para você entender tudo o que está acontecendo, e falando nisso, a série tem um episódio inteiro só para contar o que aconteceu no presídio e quando você descobre você pensa que é uma coisa quase coerente, mas você também pensa que depois de todos esses episódios, todas as propagandas, todos os fatos sobrenaturais, aquilo que está acontecendo só vai fazer você querer assistir por curiosidade do que vai acontecer no final, pois eu particularmente fiquei muito desanimado com isso.

 ESSE PARÁGRAFO CONTÉM SPOILERS, ENTÃO SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU SUPERMAX, PULE PARA O ÚLTIMO.

Os personagens da série são mal desenvolvidos, mas um particularmente me incomodou muito que é o Nando. Ele é um padre que foi expulso da igreja, e o que me incomodou é o fato dele ter visões do futuro e delírios extremamente insanos e isso foi mais um dos motivos para eu me decepcionar com o que realmente se passa naquele lugar, pois aparentemente parece que tem algo sobrenatural relacionado com espíritos e coisas do tipo, mas não, o tempo todo existem pessoas que moravam naquele lugar antes do presidio ser construído e que estão infectadas com um vírus radioativo que deixa as pessoas imunes a dor, e aqueles seres só querem as mulheres que estavam no reality para procriar e se livrar do vírus, aparentemente é isso, mas o roteiro não consegue explicar 100% isso, pois acaba criando um questionamento se aquele virus não ira passar do chefe da tribo para a mulher grávida,. É uma coisa muito confusa que quanto mais você pensa, mais falhas você encontra e menos sentido a série tem.

Mesmo sendo uma série ruim, Supermax tem seus lados bons e eu gostei da série (sim, eu sou contraditório e gosto de coisas ruins, me julguem), mas se você não tem paciência para uma história que demora cerca de uns 4 episódios para começar, Supermax não é para você, pois até a série começar você fica numa expectativa muito grande que acaba sendo quebrada muito cedo, e foi esse o fator que levou Supermax a cair em audiência cada vez mais e ter sua segunda temporada fora de cogitação. Seu último episódio vai ao ar no dia 13 de dezembro, e pode ser que a audiência seja maior pelo fato de ninguém ter esse episódio e nem mesmo o Globo Play, o que pode ser a última esperança da série e a do público de que a série vai ter um final melhor que seu desenvolvimento.


Nenhum comentário

Postar um comentário

 
Desenvolvido por Michelly Melo.